Não é Mindfulness se não tiver bondade*

Aqui está uma coisa que pode estar faltando na sua definição de Mindfulness

Por Shamash Alidina – 25 de Setembro de 2015

* Texto publicado originalmente na Revista Mindful e traduzido por mim. Para ter acesso ao texto original, clique aqui.

O termo mindfulness tem sido mencionado desde a capa da revista TIME até em discursos nas Nações Unidas. Mas, as pessoas estão perguntando: o que vem depois?

No início desse ano, eu assisti a uma palestra do meu monge favorito, Ajahn Brahm. Ele estava falando na sede do Google em Mountain View, Califórnia — um lugar legal para um monge da floresta passar um tempo. Brahm expressou o problema da separação entre mindfulness e compaixão – eles funcionam muito melhor juntos.

Mindfulness em si é simplesmente uma consciência do momento presente sem julgamento, como dizem os pesquisadores. Mas, para desenvolver a beleza da paz, mansidão e quietude da meditação, uma consciência gentil é necessária.

Então, Brahm desenvolveu um novo termo – Kindfulness**. E eu gostei disso!

(**Nota da tradutora: Preferi manter o termo kindfulness em inglês devido a dificuldade de encontrar uma palavra em português para o sentido do termo. Seria uma mistura de mindfulness – atenção plena – e kindness – bondade. Seria algo como uma atenção/consciência plena bondosa e gentil).

Mindfulness e bondade são as duas asas para ajudá-lo a subir para as alturas vertiginosas da sabedoria perspicaz, alegria incondicional e paz profunda.

Mindfulness sem bondade torna-se seco, aborrecido e frio. Bondade sem mindfulness é difícil de imaginar. Como você pode ser gentil se você não está consciente de que você está sendo gentil ?

A maioria dos bons professores de meditação incentivam uma consciência calorosa, gentil e amigável. Mas acho que em vez de usar a palavra mindfulness, talvez kindfulness seja melhor —lembra que você deve ser gentil e amável enquanto pratica.

Posso dar um exemplo? Claro! Muitas vezes eu ajudo as pessoas a lidarem com o estresse. Em meu livro mais recente, The Mindful Way Through Stress, eu garanti que as meditações e práticas fossem infundidas com bondade e compaixão, não apenas consciência atenta.

Então vamos considerar o seguinte cenário: Imagine que você está se sentindo estressado agora com uma reunião de negócios que você tem mais tarde. Como você se relaciona com isso com Kindfulness?

Primeiro passo: Comece com mindfulness. Como você sabe que está estressado? Há tensão no estômago ou tensão nos ombros? Você tem uma dor de cabeça ou seu coração está batendo forte, rápido. É isso que o mindfulness faz. Você está recebendo feedback. Obter feedback é uma das funções da atenção plena.

Próximo passo – bondade. Envie bondade, cordialidade e simpatia para seus sentimentos de estresse. Sinta o estresse como se estivesse segurando um bebê, uma flor delicada ou um urso fofinho. Esteja com as sensações usando seu coração, não apenas sua cabeça. Tente isso por alguns minutos ou o quanto você puder.

Etapa final – mindfulness novamente. Observe o efeito que seus pequenos esforços tiveram. Kindfulness funcionou? Você se sente melhor ou pior? Desta forma, você descobre quais atitudes funcionam e quais não. De qualquer maneira, você aprende alguma coisa.

Kindfulness não é apenas para o estresse. Você pode usar Kindfulness na sua vida diária.

Comece observando o efeito de sua prática, seja ela qual for – meditação, ioga, movimento atento, correndo, nadando conscientemente para trás com um braço.

Seja qual for a atividade, observe como você se sente depois.

Se você se sente acolhido, relaxado, calmo, e geralmente feliz com você mesmo, você provavelmente está misturando consciência atenta com compaixão. Você conseguiu!

Se você se sente aliviado que você pode finalmente parar de meditar ou caminhar conscientemente ou o que quer que seja, você provavelmente está forçando a barra.

Você pode tentar esses passos simples:

1. Enquanto você está meditando, coloque sua mão em seu coração.

O calor de sua mão encoraja um sentimento de compaixão para o que você está focando.

2. Sorria (por favor).

Este é um tempo de consciência para você, não se auto torture. E se você não puder sorrir, use seus dois dedos para empurrar para cima os cantos de sua boca e mantê-los lá por um tempo … Estou falando sério!

3. Preste atenção ao que quer que seja seu foco, usando seu coração, não apenas sua cabeça.

Sinta a respiração com emoção se você puder, em vez de perceber a sensação de uma forma fria.

4. Abrace mais.

Abrace um ursinho de pelúcia enquanto medita. Abrace seu laptop quando ele parar de funcionar. Abrace-se sempre que você se sentir um pouco para baixo. São as regras do abraço.

5. Suavize a sua auto conversa

Diga palavras reconfortantes para si mesmo. Coisas como “relaxe”, “calma”, “respire, Shamash … .respire … ..” Obviamente não diga Shamash … diga o seu próprio nome …

Como você mistura atenção plena com bondade? Quais práticas funcionam melhor para você? Por favor, compartilhe suas ideias se você tiver um pouco de tempo.

 

 

 

 

 

 

    2 Comentários

  1. Adriane Camillo Janeiro 25, 2017 at 10:43 pm

    Adorei o texto Erika! Kindfullness para todos nós!

  2. Marcos Sabbah Janeiro 27, 2017 at 3:01 pm

    Excelente texto! Sem dúvida nenhuma que tanto Mindfulness como a Bondade se complementam, e acho que o passo seguinte ao da Atenção Plena será a Compaixão, imbuída de Bondade do praticante. Atenção Plena + Bondade + Compaixão.